Saturday, April 7, 2007

O valor das palavras - o poder no palco

Em qualquer país com liberdade de expressão, o Actor pode ser murdaz, sarcástico, imaginativo e impiedoso nos seus actos em palco, sempre a coberto da fantasia e da invenção. Será que conseguimos identificar algum poder social e político nos actores? Julgo que sim, principalmente quando as suas intervenções teatrais - e também no cinema e em televisão - conseguem provocar mudanças de mentalidade, de opinião e de atitude social na população que é influênciada pela actuação dos actores.

Por definição, a actuação dos actores num palco de teatro, e sua representação em cinema ou televisão, tem como objectivo cativar o espectador durante a duração do espéctáculo, provocando emoções e sentimentos que o levem a adminar e gostar do desempenho dos actores.


Não nos devemos esquecer que, por detrás de cada actor encontra-se um encenador que constroi a peça (ou produtor e realizador que elabora o filme ou a série), e um argumento que é a essencia da actuação de todos os actores. Existem textos representados em teatro, que se referem à realidade politica de diversos países, em épocas diferentes, ou a acontecimentos históricos que marcaram a evolução da Humanidade.


Penso que os géneros de representação teatral que mais efeito social podem provocar serão o Drama e o Teatro Revista - este último é mais usual no nosso país e tem uma grande tradição.

Em Portugal existe uma longa relação entre o Teatro, a sociedade e o poder político. Vários foram os intervinientes e causadores desta relação, nomeadamente Gil Vicente (considerado o pai do teatro português), Almeida Garret, Raul Brandão, Julio Dantas, José Régio, ou mais recentemente Luís de Stau Monteiro, Luís Francisco Rebello e José Cardoso Pires. Todos estes autores pretendiam incomodar o poder politico instituido e as convenções sociais que atrasavam a evolução das mentalidades e da cultura em Portugal. Todos nós já lemos ou estudamos o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, um texto que se refere provoca a moralidade religiosa e a poderosa Igreja Católica.

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