Wednesday, August 29, 2007

África - convêm lembrar!

Monday, August 27, 2007

A mão pesada de Vladimir Putin


Um dos lideres mundiais que, do meu ponto de vista, mais força interventiva interna tem é Vladimir Putin, o Presidente da Federação Russa. São vários os casos, já conhecidos, em que alguma comunicação social russa (e internacional também), aponta o dedo à intervenção de Vladimir Putin, de forma directa ou indirecta.Ex-operacional do KGB, Putin valoriza um Estado russo securitário e forte, nomeadamente em termos internacionais e militares. Putin já demonstrou várias vezes a sua firme determinação, em aniquilar qualquer forma de terrorismo que exista na Russia. Doa a quem doer...!

Lembre-mo-nos, então, de alguns casos. Começando pelo assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, ocorrido a 7 de Outubro de 2006. De acordo com uma declaração da União de Jornalistas da Rússia, desde que o presidente russo, Vladimir Putin, chegou ao poder, no início de 2000, 12 casos de assassinatos de jornalistas ainda não foram devidamente esclarecidos. Politkovskaya, é mais uma na lista dos mais de 300 jornalistas mortos ou desaparecidos na Rússia desde 1991. Politkovskaya critica a politica do governo de Putim contra a guerrilha tchetchêna. Esta jornalista vinha cada vez a pôr em causa a existência de liberdade de expressão na Russia, principalmente em termos de opinião publicada por jornalistas.

Outro caso que revelou, algum mau estar na Russia, e que teve um impacto mais forte na opinião pública estrangeira, foi a morte do ex-expião russo Alexander Litvinenko, falecido, em Londres, por uma dose do veneno radioactivo polónio 210. A história da morte deste antigo espião russo esteve envolvida num enredo misterioso, que em ultima instância, tudo levou a crer que o Kremilin estivesse de alguma forma envolvido neste caso. Litvinenko era um critico do regime de Putin, e responsabilizou o presidente russo do seu envenenamento, numa carta enviada ao próprio Putin.

Recordemo-nos, também, do que aconteceu num teatro em Moscovo, em Outubro de 2002. Um comando tchetcheno invadiu o Teatro Bolshoi em Moscovo, quando decorri um espetáculo a que assistiam cerca de 800 pessoas, algumas de outras nacionalidades, como americana, neo-zelandesas, australianas e inglesas. O grupo tchetcheno era constituido por 25 homens e 25 mulheres, que reenvidicavam a saída das tropas russas da Tchétchenia. Altamente armados, o sequestros provocado por este comando durou vários dias, e a terminou com a morte dos 50 tchetchenos e de 117 cívis. Após várias tentativas de negociação e de planamento da entrada no Teatro pelas forças de segurança russa, Putin deu ordem para que fosse utilizado um gás que provoca alterações nas funções vitais dos orgãos, levando à morte por insuficencia cardiaca. Putin, decretou um dia de luto nacional, pediu perdão às familias das vitimas, mas podia ter actuado de outra forma.

A actuação da guerrilha tchetchena não se esgotou no Teatro Bolshoi e, em 2003 um grupo de 26 guerrilheiros tchetchenos sequestrou mais de mil pessoas (entre centenas de crianças - 70% no total, indicou mais tarde uma fonte do governo russo), numa escola em Beslan, na provincia da Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa. Apenas um guerrilheiro sobreviveu à actuação das forças de segurança russas, a maioria das vitimas foram crianças, sendo que perto de 200 morreram durante os confrontos ou foram executadas pelos guerrilheiros.

Apesar da politica de segurança interna e de resulção dos seus conflitos estar envolvida em decisões polémicas e questionáveis, Vladimir Putin mantêm a confiança e a simpatia de mais de 50% dos eleiores russos. O actual Presidente russo consegiu implementar reformas económicas que, de alguma forma, provoca o aumento do Investimento Directo Estrangeiro com a instalação de empresas como a IBM, a Motorola, a Intel e a Boeing.

Este é o seu segundo mandato, e segundo a constituição da Federação Russa, apenas podem ser cumpridos, pelo mesmo Presidente, dois mandatos. Até agora os analistas politicos russos e a comunicação social russa ainda não consegiu vislumbrar um candidato à altura de Putin.

Monday, August 20, 2007

Dois gigantes com pés de barro no centro do Mundo

Não é dificil estarmos atentos à realidade que nos rodeia noutros países. Temos acesso a várias fontes de informação, e a vários meios para analisar-mos a validade dessa informação. E quando a informação é um facto, então a análise é mais facilitada.


Ver hoje a China e a India como potencias económicas e politicas no concerto das nações, é um facto inegável. Ao falar sobre este dois países, temos que ter em atenção, algumas realidades que são inegáveis - a sua evolução tecnológica, o aumento da sua capacidade produtiva e os seus indicadores macro-económicos.


Segundo dados da revista "Economist", a China atingiu 10,7% de crescimento económico interno (PNB) em 2006, prevendo-se um crescimento do PNB, em média, de 8,62% até 2011. A actividade economica chinesa está assente, com mais de 50%, na Indústria, nomeadamente na industria transformadora e extractiva. O governo chinês tem efectuado, desde 1984, uma reforma económica que se aproxima fortemente do sistema capitalista, embora a presença do Estado na economia seja muito forte.





A emergência da China já não é somente uma previsão económica ou geopólitica, é um dado adquirido e cada vez mais sentido, nomeadamente em termos comerciais. Também vale a pena referir o cada vez maior intervênção da China no sistema de Cooperação Internacional, com o financiamento através de contractos-programa em Angola, Moçambique, São Tomé e Principe e Cabo-Verde, só para sitar estes países.


A China encontra-se no coração politico e geográfico da Ásia, faz fronteira com 14 Estados, é membro permanente do Concelho de Segurança da ONU, tem 9,6 milhões de km2 que se estendem sobre os mais de 4000 km desde as suas fronteiras orientais até às suas fronteiras ocidentais. Outro poderoso elemento estratégico, é a sua diversidade de recursos minerais (carvão, gás natural, petróleo). A China é o unico país do mundo que têm 4 mil anos de história ininterrupta, com uma civilização milenar.


Não me restam dúvidas sobre as potencialidades económicas da China Mas parafraseando um ditado popular espanhol "Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem!", este gigante económico sofre de carências estruturais, mesmo no campo económico. A economia chinesa não tem um sistema bancário e bolsista semelhante aos que existem nos países-membros da União Europeia ou nos Estados Unidos da América. Tem um sistema desorganizado, sustentado por decisões estatatais; a título de exemplo, muitas familias chinesas ainda não se habituram a depositar dinheiro nos bancos e a investir em titulos e instrumentos financeiros.


Não devemos esquecer que a China vive sobre um regime de partido único à largas dezenas de anos - o Partido Comunista Chinês. Por muitas máscaras e cenários de desenvolvimento económico que se criem, um país que vive com liberdade de expressão política e cultural limitada, não consegue progredir socialmente, não consegue criar gerações que tenham espaço para evoluir ideológicamente e culturalmente.

A índia apresenta sinais e um historial de desenvolvimento, nos últimos 20 anos, semelhantes à China. Consegui apresentar resultados macro-económicos bastante favoráveis, com um crescimento do PNB, entre Março de 2006 e Março deste ano, de 8,4%, segundo dados da Organização Central de Estatíticas da India.

Podemos caracterizar a economia indiana, como uma economia dualista com sectores primários a enfrentar dificuladades de produção e de escoamento dos seus produtos, mas com um desenvolvimento cada vez mais acentuado em sectores tecnológicos, como por exemplo a indústria de Software. Esta industria tem contribuido para a criação de emprego, constituido por técnicos de elevadas qualificações, e tem sido também um polo de atracção de investimento estrangeiro. A Microsoft é um desses casos.

Estou certo que a Índia apresenta indicadores económicos que alimentam, de facto, a imagem de uma potencia regional cada vez mais forte e politicamente interventiva. Mas a Economia (seja como teoria seja como prática) não vive isolada das restantes dimensões de qualquer sociedade. o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2005 coloca a Índia como um país de desenvolvimento médio, atrás de países como Cabo Verde, Egipto ou Colombia. Com situações de pobreza, alto nível de desemprego e baixos níveis de IDH, o governo indiano precisa definitivamente implantar mecanismos para redução da burocracia fiscal e das barreiras de entradas para o investimento directo estrangeiro. A Índia ainda apresenta debilidades caracteristicas de um país em vias de desenvolvimento, nomeadamente ao nível do saneamento básico nas zonas urbanas e rurais, na excessiva concentração populacional em volta dos grandes centros urbanos, na desiguladade do género e alguma marginalização poltica e social das mulheres, etc.

Tanto a China como a Índia, são dois países que devemos continuar a observar durante as próximas décadas. O seu potencial de crescimento económico está provado, mas falta a sua sustentação e consequente alcançe de um patamar sólido de desenvolvimento humano, nas suas vertentes económica e social. Os governos dos dois países são actores importantes neste processo de crescimento, mas não cabe únicamente aos políticos e governantes desses países assumirem essa resposabilidade. Para atingir níveis de desenvolvimento sustentável, todos os actores são necessários, universitários, empresários, intelectuais, médicos, juristas, operários, etc. Não devemos esquecer que a maturidade democrática (semelhante a alguns Estados europeus) é, do meu ponto de vista, um elemento essencial para que este dois países deixem de ter pés de barro.

Wednesday, August 15, 2007

Tempo estranho

O tempo está estranho!? Surge esta frase em pensamento, enquanto acordava e observava o exterior, rodeado de carros, estradas, serra e um castelo-fortaleza mediaval. Estamos em Agosto, e é normal esta variação climatérica entre dos dias com sol e os dias com chuva. Não se tratar de nenhuma catastrofe para a humanidade, nem algo que não aconteça desde à muitos anos.
Mudo de paragrafo, porque quero (e sinto que devo) dar sentido à frase "o tempo está estranho". O que me leva então a estranhar o tempo? Permitam-me que resuma esta estranheza em duas palavras - revoluções silenciosas. Mudanças e transformações que não sentimos no imediato, alterações culturais, definhamento de ideiais e ideologias, momentos históriocos que não vi nem sobre eles tomei conhecimento na altura em que ocorreram. O Mundo muda, eu sei que muda, mas será que não tenho o direito de estranhar...?

Saturday, August 11, 2007

Um cantinho especial



O Portinho da Arrábida é um dos locais mais apreciados na minha terra, um local de descanço e de contemplação da Serra e do Mar. Existem locais de sonho, este é um deles!
Apreciem estas imagens, e se não conhecerem convido-vos a visitar uma das pérolas de Setúbal.



Comentário à sondagem: "Concorda que Portugal seja uma provincia de Espanha?"

Muito longe de uma clarificação sobre a tendência de aceitarmos ou não o dominio de Espanha sobre Portugal, e sem expressão, agradeço aos 6 votantes. No entanto, podemos extrapolar uma ligeira evidência sobre este assunto: uma pessoa é favor da integração de Portugal em Espanha, outra pessoa, concorda com a integração mas Portugal deveria manter autonomia politica e administrativa, e a maioria dos vontantes não concorda de maneira nenhuma com a transformação de Portugal numa provincia espanhola.
Este pequeno "teste" mostra, penso eu, que de facto, não estamos longe da realidade de possíveis conclusões feitas à escala nacional. Provavelmente teriamos uma parte dos portugueses que, talvês vendo mais oportunidades ecoómicas em Espanha, aceitaria tornar-se uma provincia espanhola, usufruindo dos mesmos sistemas fiscal, da segurança social, judicial, administrativo. e de outras possobilidades que a economica e a sociedade espanhola tem mais capacidade de oferecer do que a Portuguesa. Os 4 votos que se manisfestaram contra esta opção integracionista, mostram, de certa forma, que provavelmente a maioria dos portugueses não aceitaria esta integração.
A História do nosso país e a nossa herança cultural, pesam bastante quando imaginamos (ou nos fazem imaginar) que a Peninsula Ibérica poderá ser um só país. Apesar das origens étnicas e culturais comuns, ocorreram demasiados conflitos, entre os secúlos XII e XVIII, que marcaram as relações entre os dois países, com algumas tentativas da parte do Reino de Castela para ocupar o Reino de Portugal.
Já agora deixo-vos uma pequena provocação: desde a 2ª metade do século XX que a tendência para a integração politica e económica tem evoluído a passos largos, nomeadamente na Europa. Será assim tão assustador Portugal se transformar numa provincia de Espanha? E já agora, porque não o inverso...? Era interessante....!

Thursday, July 19, 2007

Saramago - um profecta (por enquanto português) em Espanha

É recente a afirmação de José Saramago sobre a possibilidade de Portugal ser uma provincia de Espanha, tal como é a Catalunha, ou a Galiza. É compreensivel esta afirmação, afinal Saramago vive rodeado de espanhois e de Espanha, ouve todos os dias a lingua castelhana, provalvelmente lê os jornais espanhois, ouve rádio espanhola e vê a TVE. As opções individuais de cada um de nós, são perfeitamente respeitaveis. Mas são apenas individuais, e não devem ser submitidas (a uma expressão que Saramago possivelmente utilizou muito no passado) ao Colectivo - entende-se como o Povo ou População.
Não retiro alguma lógica às palavras de Saramago, afinal temos Espanha logo aqui ao pé, é o pais com o qual temos maiores relações comerciais e financeiras, temos um percurso histórico semelhante, e uma linhagem religiosa, linguistica e cultural comun. Mas temos mais de 800 anos de vidas à parte, de caminhos separados, ao nível governativo, a nível político, económico e cultural. Ambos os paises, Portugal e Espanha, são Estados de Direitos, regidos por uma constituição repúblicana, no caso português, e outra parlamentar submetida à representividade monárquica, no caso espanhol.

Não é a primeira vez que uma figura pública portuguesa, provoca a opinião pública com a possibilidade de virmos a ser, politicamente, integrados em Espanha. António José Saraiva, à cerca à poucos anos atrás, quando era Directo do jornal Expresso, também vislumbrou essa possibilidade, e apresentou argumentos parecidos aos que Saramango apresentou agora, nomeadamente o crescimento da força do poder económico espanhol em Portugal.

João Céu e Silva, jornalista do Diário de Noticias, colocou a seguinte questão a José Saramago: "Seria, então, mais uma província de Espanha?" e Saramago respondeu - "Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria".

Depois desta intervenção de Saramago, será caso para questionar...Será que Olivênça algum dia vai ser nossa..?

Monday, July 16, 2007

O conforto de acreditar na esquerda

Este artigo foi escrito por mim há cerca de 6 anos, mas talvês devido á vitória do Partido Socialista em Lisboa, este artigo possa ser novamente lido.

A base para este artigo parte de uma ideia, que julgo, ter cada vez mais consolidada. Um dos últimos e mais expressivos impulsos, para que a minha crença em acreditar que é confortável assumir posições de esquerda, e dar apoio a espaços ideológicos e partidários de esquerda, ou até extrema esquerda, foi o acto eleitoral de 16 de Dezembro de 2001, em que o Partido Comunista Português, em coligação com outra estrutura partidária de esquerda, o Partido Os Verdes, obteve o número de votos necessários para assumir a liderança do executivo municipal em Setúbal.

Partindo deste cenário político concelhio, passo então a explicar as razões pelas quais eu acredito que é confortável (eventualmente para muitas pessoas no nosso concelho) acreditar nos partidos de esquerda. Convêm antes demais avisar as pessoas, que tiveram a apetência para lerem até este ponto esta minha humilde e sincera opinião, sobre alguns dois esclarecimentos prévios. Em primeiro lugar informo os leitores que este artigo não é uma manifestação de apoio aos partidos de esquerda nem às suas posições políticas e ideológicas. Em segundo lugar, as próximas ideias baseiam-se mais no meu conhecimento comum, na minhas experiência e atitudes pessoais, do que numa concepção cientifica previamente estruturada. São duas as ideias nas quais eu irei fundamentar as minhas razões. A primeira refere-se à enorme capacidade de dádiva que os partidos de esquerda tem e que geram comportamentos colectivos de distanciamento perante os problemas e
os factores, em lato senso, sociais. A segunda ideia aborda um instrumento útil para qualquer político, que é a capacidade de persuasão.

Explicando melhor a questão da dádiva, segundo o antropólogo francês Marcel Mousse(1), a dádiva cria dividas, apesar de socialmente ter uma forma gratuita. Qualquer dádiva é revestida de interesses que assumem várias formas: aumento da nossa auto-estima, obtenção de reconhecimento, criação e desenvolvimento de laços sociais, conquista de mais-valias económicas a médio e longo prazo, ganho de votos pelas populações com vista a alcance de lugares de decisão política e pública. Mousse observou processos de dádiva em sociedades arcaicas como na Polinésia, e pôde constatar que a dádiva é um dos mecanismos de legitimação do poder.

São as dádivas, as ofertas sociais e económicas que a Esquerda faz, nomeadamente em Portugal, que provocam uma forma de estar social passiva (ou pacifica, como alguns actualmente agora gostam de incluir no seu cardápio moral e ideológico). As pessoas gostam de atingir uma certo grau de bem-estar, de prosperidade e de qualidade de vida, a que justamente tem direito. A Esquerda, promove estes objectivos, e fá-lo através da distribuição de poder, da distribuição de responsabilidades, da inclusão das populações nesse poder de decidir e de participar; no entanto a maneira excessivamente democrática como o faz, provoca a descaracterização do poder, o que leva em situações mais criticas à desgovernação. E uma consequência que eu julgo ser negativa, é a falsa participação das populações em processos de decisão públicos, nos quais elas julgam ter um poder efectivo. As lideranças de esquerda mostram normalmente duas faces: ou totalitária/centralizadas (os casos de Cuba, da Coreia do Norte e da ex-URSS) ou fracas/difusas (os casos do PCP de Carlos Carvalhas e do PS de António Guterres). Um caso extremo de dádiva ocorrida em Portugal no pós-25 de Abril, e que os mais velhos certamente se recordaram, foi com o período de governo de Vasco Gonçalves, que, apoiado pelos partidos de esquerda e de extrema-esquerda, iam provocando a ruína da nossa economia e da nossa sociedade, nomeadamente tendo uma política redistributiva muito forte e pesada para os recursos existentes.

A segunda ideia que referi anteriormente, a capacidade de persuasão, provoca os mesmos efeitos que a questão da dádiva. O discurso político dos partidos de esquerda, é, na sua origem, um discurso tipicamente poético, embebido de sofrimento e de sonho, inventado cenários ora paradisíacos ora infernais. Recentemente, num debate sobre "Juventude e Globalização" ocorrido em Setúbal, um político do PCP falava de uma sociedade de explorados e de exploradores...a "eterna" luta de classes segundo Marx. Provavelmente esse senhor não se lembrou da forte classe média que existe no nosso país. Portugal é um país de românticos, em que os discursos dos partidos e dos políticos de esquerda ainda encantam muitas vezes. Quem não se lembra da famosa "paixão" pela educação do Eng.º António Guterres? Este slogan encantou durante algum tempo professores, pais e alunos. Também podemos falar em demonstrações algo inovadoras do Bloco de Esquerda, que com dotes de magia teatral, consegue cativar alguns jovens das grandes áreas urbanas. Os portugueses sentem-se confortáveis ao ouvirem um discurso que os acalme, que os tranquilize, que os faça pensar que está tudo bem, e que não é necessários estarem preocupados. Um dos melhores exemplos de discurso tranquilizante foi nos dado pelo governo socialista liderado pelo conciliador Engº António Guterres.

Apesar da forma irónica com que exprimi as minhas opiniões sobre o que, de forma sintética, penso sobre a Esquerda no nosso país, tentei agir de maneira sincera. Estamos a poucos dias de ter celebrado mais um 25 de Abril (que a Esquerda faz sempre questão em dominar as mudanças e as liberdades que foram alcançados com esta revolução), mas também estamos a poucos dias da aprovação de algumas leis que seguramente vão alterar, para melhor ou para pior, os nossos quotidianos, espero que estejamos a poucos dias...de mostrar que a inércia, o falso silencio, os extremismo ideológicos, as posições partidárias em detrimento das posições cívicas e realistas; tenham cada vez menos peso e influência na sociedade portuguesa. Nós somos um povo que já se mostrou capaz, ao longo dos séculos, de transformar as palavras em actos e os actos em palavras, ou seja dizer uma coisa e fazer essa coisa, e assumir o que fizemos dizendo que o fizemos. Desculpem-me estas meias-frases, que vos indicam que nós somos um povo empreendedor!




Notas:
(1) Mousse, Marcel - "O Ensaio sobre a dádiva" Lisboa, Edições 70, 1988

Thursday, July 12, 2007

Viajante em espaços clássicos

Acredito na fundamentação das coisas, da História, da evolução do Homem. Penso que todos nós deviamos conhecer os nossos fundamentos, estejam eles em condição de vestigio, estejam eles inteiros. Tendo em conta os desejos que exprimi (em imagem) das cidades que gostaria de visitar e conhecer, a minha opinião, em parte já foi dada. Sou clássico no conhecimento, no que quero conhecer, naquilo que é mais importante conhecer.
Temos cidades que foram, e são, marcantes para a História da Humanidade. Cidades que marcaram os tempos passado, presente e futuro. É certo que temos museus em França, Inglaterra e Estados Unidos, que nos mostram um pouco de civilições clássicas, como a civilização grega, mas a Grécia ainda existe, com os traços culturais que permanecem desde a época clássica. O mesmo se aplica na China e no Japão, que são países que mantem carateristicas culturais e arquitéctónicas ancestrais.
Mas o mundo moderno também faz parte da fundamentação humana, como a cidade de Nova Iorque. Esta cidade, que também gostava muito de conhecer, e pelas imagens e informação que sobre ela existe, deve ser um autêntico caldo de cultura, de diferenças raciais e étnicas.
Talvez um dia eu seja bafejado pela sorte, e consiga visitar todas estas cidades.

Tuesday, July 10, 2007

Desejo de Viajante IV - Rio de Janeiro







Desejo de Viajante III - Roma







Desejo de Viajante II - Londres




Desejo de Viajante I - Nova Iorque

Prefiro deixar-vos com imagens sobre cidades ou países que gostaria de conhecer e sobre os quais gostaria de ter memórias.



Em Lisboa de novo

Estamos em plena actividade eleitoral em Lisboa, cidade de que já falei, e falei com gosto e ternura. São vários os candidatos, várias as candidaturas, várias ideias e projectos em teoria, várias pessoas interessadas, várias pessoas que provocam interesse, vários participantes politicos e muita...muita gente a assistir.

Lisboa é linda sob o seu manto de luz azul e sobre a sua história e estórias. Como pode a estratégia politica aproximar-se e incluir na sua definição a beleza de Lisboa?...Concretamente...Ideológicamente...não sei. Mas sinto, e sentir deve fazer parte de qualquer estratégia politica, seja ao nível de um governo de uma cidade ou de um país. Sentir a cidade de Lisboa, acordar com ela e dormir com ela, numa relação de conhecimento e de construção de uma vida. Talvez seja possível inserir este sentimento numa estratégica politica, que, por natureza deve ser racional e viável.

A grande maioria dos partidos e dos seus cabeças-de-lista, está, penso eu, em condições de sentir Lisboa. Confesso que tenho simpatia mais por uns, do que por outros, mas vão me perdoar a minha intenção em manter a minha preferência em segredo. Se apreciam a democracia responsável, a liberdade política e respeitam a pluralidade de ideias e de ideologias como eu aprecio, de çerto que poderão pressupor qual seja o meu campo ideológico.

Também tenho receio que estes candidatos (incluindo todos os membros das várias listas) percam o sentir por Lisboa, tenho receio que deixem de sentir Lisboa como devem sentir....! Poderá isso ser possível...? Será que já é possível...? Tenho gosto em ser um espectador activo, e talvez tenha a felicidade de concretização de esperanças - que eu que não sou lisboeta, e que respeito e sinto esta cidade - de ver uma Lisboa jovem, com alegria, com futuro, com vida.

Wednesday, June 27, 2007

Mudança no reino de Sua Majestade


Hoje, dia 27 de Junho de 2007, tal como o agora ex-Primeiro-Ministro Inglês, Tony Blair, anunciou à alguns dias, apresentou a sua demissão à Rainha Isabel II. Foram 10 anos a liderar o governo do Reino Unido, em que tentou fazer a ponte com a Europa e com a UE. Era este ponto que gostaria de destacar.
Desde que foi eleito, e mesmo quando era lider da oposição através do partido New Labour, Blair, sempre manteve uma distância do tradicional pensamento conservador inglês, de "ver para crer" em relação à construção europeia e ao processo de integração economica e politica da UE. O seu nome chegou a ser falado para, um dia, presidir à Comissão Europeia, ou ter um cargo politico de relevo na UE. Tony Blair atravessou, em 2005, um semestre como Presidente do Concelho da UE, presidência essa como sabem é rotativa de 6 em 6 meses por todos os Estados-membros. Blair tinha uma atitude politica com a Europa diferente da antiga Primeira-Ministra Margaret Thatcher. Europeista "quase convicto" Blair quis convocar um referendo na Grã-Bretanha sobre o Tratado Constitucional Europeu. No seu Governo teve ministros contra e ministros a favor, o seu executivo, o seu partido e o seu país encontravam-se (e ainda se encontram) divididos quanto à participação do Reino Unido no sistema politico e económico da UE. Uma grande barreira com que teve que lidar, e à qual teve que ceder, foi a recusa da entrada do Reino Unido no sistema monetário europeu - o Euro. A moeda única europeia é uma especie de bicho papão para muitos britanicos, que tem receio de perder a sua independência politica e económica, e de ficarem muito dependendes das decisões que se tomam em Bruxelas e Estrasburgo. De alguma forma, Blair sempre se manteve fiel aquilo em que acredita, ao futuro da UE, apesar das pressões de parte do seu partido e também do Partido Conservador inglês.
Julgo que a sua vertente de dialogo, de relacionamento diplomático, e a sua capacidade de comunicação e de empatia; foram trunfos seus que lhe permitiram conseguir três vitórias eleitorais para assumir a chefia do governo britânico. Outra causa, de duas das suas eleições, foi a Terceira Via, uma especie de New Deal implementado por Franklin Roosevelt no Estados Unidos durante os anos 30 (secúlo XX). Alguns analistas questionam-se sobre a durabilidade da Terceira Via com o novo Primeiro-Ministro, Gordon Brown.

Sunday, June 24, 2007

Europa Über Alles


Independentemente de Portugal vir a assumir novamente, a presidência da União Europeia (UE), gostaria de deixar uma breve reflexão sobre o "estado da União". Claro, dentro da minha humilde e comum opinião.
Como todos sabemos, no essencial, quais são os fundamentos politicos e ideológicos da Comunidade Europeia, integrados no Tratado de Roma, que tem vindo a dar uma sustenção pacifica e democrática às relações entre os Estados-membros da actual UE.

Saturday, June 2, 2007

Estar no Estado

Aparentemente, este título pode gerar confusão e falta de algum sentido. Refiro-me ao Estado-nação, a ser elemento do Estado, a ser Estado, (será que existe a expressão Homem-Estado....?).
Quando a expressão "Estar no Estado" surgiu no meu pensamento, eu pretendia reflectir sobre o que podemos fazer enquanto cidadões, pretendia reflectir sobre o que podemos fazer, o que podemos mudar e transformar nas nossas sociedades e comunidades às quais estamos ligados. Não imagino a importância do Estado-nação sem o peso das localidades, das comunidades, das etnias e grupos sociais que o constituem.

O que é para mim, então, estar no Estado? Respondo de forma pragmática e directa:
- Cumprir com a lei em vigor;
- Contribuir com o meu votos nos actos eleitorais local, nacional e europeu;
- Cumprir com as minhas obrigações fiscais;
- Respeitar os símbolos e desígnios nacionais (bandeira nacional, participação em missões e
organizações internacionais, etc);
- Respeitar as instituições governamentais, juridicas, judiciais e militares;
- Não destruir nem prejudicar a propriedade publica e estatal, nas suas várias dimensões
(ambiental, artistica, arquitectónica);
- Conhecer o país, as suas gentes, a sua cultura, os seus costumes e tradições (ainda que de
forma genérica e gradual).

Como também tenho direito aos meus momentos de sinceridade, apetece-me colocar uma questão: Será que toda a gente cumpre com os requisitos que referi anteriormente?

O Estado-nação é mais que um conceito, é uma representação juridica, politica e filosófica que ímpera nas democracias ocidentais, principalmente na Europa. Portugal não foge à regra, e isso pode ser lido na Constituição da República. Mas será que todos os cidadãos, portugueses ou de outra nacionalidade, sente-se parte de um Estado-nação? Será que entendem minimamente a sua essência, o porquê de existir em termos politicos e filosóficos? Infelizmente, esta percepção de Estado-nação não está assumida por todos, principalmente quando eu me refiro a alguns dos requisitos anteriores ou até ao seu conjunto.

Wednesday, May 30, 2007

Direitos

O titulo composto só pela palavra Direitos, pode levar a pensar que vou falar de direitos humanos ou liberdades e direitos politicos, culturais e sociais, de forma geral, ou filosofar sobre eles.
Em Portugal, nos últimos anos e meses têm ocorrido manisfestações legalmente constuituidas e permitidas, mas que já não são demonstrativas de actos democráticos e de solidariedade social para com a comunidade e o país em geral. Estou me a referir em concreto a uma greve geral que, ainda está a decorrer durante o dia de hoje, 30 de Maio de 2007. As greves são legitimadas, pelas Constituição, segundo determindados critérios expostos no seu art.º 57, entre os quais "Compete aos trabalhadores definir o âmbito dos interesses a defender atravéz da greve".
No entanto, nos últimos anos, os sectores de actividade que tem realizado mais greves e manifestações são os que estão ligados ao Sector Público. Se compararmos os efeitos que a greves dos funcionários públicos e de trabalhadores de empresas com capital público ou com participação empresarial pública, com as greves que os trabalhadores das industrias, agricultura, e comércio realizaram na 2ª metade da decada de 70; então há um promenor que, hoje em dia, torna muito diferente a aceitação social das recentes greves - a generalidade da população portuguesa é afectada pelas greves.
Pergunto eu, uma familia que necessita de transportes, que tem consulta marcada à 4 meses para um dos filhos, que está a pagar as propinas de outro filho que está numa universidade pública, etc; tem que sofrer por causa de diminuição de alguns privilégios (que actualmente não fazem grande sentido, em termos comparativos, com outras actividades profissionais e sectores de actividade económica).
Não estou a criticar a realização de greves e de manifestações, mas será que actaulmente são bem aceites pela sociedade? Não existiram outras formas de manifestação e defesa de interesses? Os sindicatos tem que pensar noutras formas de manifestação, que não prejudiquem o dia-a-dia de quem precisa dos transportes públicos, dos hospitais públicos e das escolas públicas. Pensem e reflitam um pouco, senhores sindicalistas!

Thursday, May 3, 2007

Lisboa - cidade de pertença

Falar de uma cidade é sempre fantasiar, resivitar o que gostamos e queremos ver, observar, sentir e pertencer. Lisboa é uma cidade de pertença. Corro o risco de falar sem a totalidade do conhecimento, mas falarei sob a minha percepção de uma cidade onde as horas percorrem dia-a-dia o meu destino. Sabem de certeza que a luz de Lisboa também é inspiradora.....segundo me dizem, em jeito de sentimento.
Lisboa tem uma história "curiosa" e reveladora de algumas das nossas conquistas e derrotas lusitanias. Os autos de fé terão sido derrotas morais e cívicas que os lisboetas dos seculos XV, XVI e XVII assistiram no Terreiro do Paço. Mas Lisboa também sabe cantar vitória, como na resistência ao cerco dos mouros no secúlo XII.
Lisboa é pequena, como a nossa pequena terra, o nosso canto de uma Europa, que estranhamente nos dá importância política e económica quando é conviniente....
Volto a Lisboa sempre que os dias assim o pedem. Para sustentar o meu destino e a minha vida. Pertenço a Lisboa sem ser lisboeta, sem ter cordão umbilical, mas com uma atracção que ultrapassa as justificações geográficas.
Desde Belém até ao Parque das Nações, Lisboa é feita de contrates e de várias misturas culturais e raciais, que dão encanto e identidade à cidade de Pessoa e Amália. "Lisboa, menina e moça", como diz a canção. Lisboa és cantada e sonhada, de dia e de noite, com os dias a passarem e a renovarem o céu azul que serve de manto e de luz.