Thursday, July 19, 2007

Saramago - um profecta (por enquanto português) em Espanha

É recente a afirmação de José Saramago sobre a possibilidade de Portugal ser uma provincia de Espanha, tal como é a Catalunha, ou a Galiza. É compreensivel esta afirmação, afinal Saramago vive rodeado de espanhois e de Espanha, ouve todos os dias a lingua castelhana, provalvelmente lê os jornais espanhois, ouve rádio espanhola e vê a TVE. As opções individuais de cada um de nós, são perfeitamente respeitaveis. Mas são apenas individuais, e não devem ser submitidas (a uma expressão que Saramago possivelmente utilizou muito no passado) ao Colectivo - entende-se como o Povo ou População.
Não retiro alguma lógica às palavras de Saramago, afinal temos Espanha logo aqui ao pé, é o pais com o qual temos maiores relações comerciais e financeiras, temos um percurso histórico semelhante, e uma linhagem religiosa, linguistica e cultural comun. Mas temos mais de 800 anos de vidas à parte, de caminhos separados, ao nível governativo, a nível político, económico e cultural. Ambos os paises, Portugal e Espanha, são Estados de Direitos, regidos por uma constituição repúblicana, no caso português, e outra parlamentar submetida à representividade monárquica, no caso espanhol.

Não é a primeira vez que uma figura pública portuguesa, provoca a opinião pública com a possibilidade de virmos a ser, politicamente, integrados em Espanha. António José Saraiva, à cerca à poucos anos atrás, quando era Directo do jornal Expresso, também vislumbrou essa possibilidade, e apresentou argumentos parecidos aos que Saramango apresentou agora, nomeadamente o crescimento da força do poder económico espanhol em Portugal.

João Céu e Silva, jornalista do Diário de Noticias, colocou a seguinte questão a José Saramago: "Seria, então, mais uma província de Espanha?" e Saramago respondeu - "Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria".

Depois desta intervenção de Saramago, será caso para questionar...Será que Olivênça algum dia vai ser nossa..?

Monday, July 16, 2007

O conforto de acreditar na esquerda

Este artigo foi escrito por mim há cerca de 6 anos, mas talvês devido á vitória do Partido Socialista em Lisboa, este artigo possa ser novamente lido.

A base para este artigo parte de uma ideia, que julgo, ter cada vez mais consolidada. Um dos últimos e mais expressivos impulsos, para que a minha crença em acreditar que é confortável assumir posições de esquerda, e dar apoio a espaços ideológicos e partidários de esquerda, ou até extrema esquerda, foi o acto eleitoral de 16 de Dezembro de 2001, em que o Partido Comunista Português, em coligação com outra estrutura partidária de esquerda, o Partido Os Verdes, obteve o número de votos necessários para assumir a liderança do executivo municipal em Setúbal.

Partindo deste cenário político concelhio, passo então a explicar as razões pelas quais eu acredito que é confortável (eventualmente para muitas pessoas no nosso concelho) acreditar nos partidos de esquerda. Convêm antes demais avisar as pessoas, que tiveram a apetência para lerem até este ponto esta minha humilde e sincera opinião, sobre alguns dois esclarecimentos prévios. Em primeiro lugar informo os leitores que este artigo não é uma manifestação de apoio aos partidos de esquerda nem às suas posições políticas e ideológicas. Em segundo lugar, as próximas ideias baseiam-se mais no meu conhecimento comum, na minhas experiência e atitudes pessoais, do que numa concepção cientifica previamente estruturada. São duas as ideias nas quais eu irei fundamentar as minhas razões. A primeira refere-se à enorme capacidade de dádiva que os partidos de esquerda tem e que geram comportamentos colectivos de distanciamento perante os problemas e
os factores, em lato senso, sociais. A segunda ideia aborda um instrumento útil para qualquer político, que é a capacidade de persuasão.

Explicando melhor a questão da dádiva, segundo o antropólogo francês Marcel Mousse(1), a dádiva cria dividas, apesar de socialmente ter uma forma gratuita. Qualquer dádiva é revestida de interesses que assumem várias formas: aumento da nossa auto-estima, obtenção de reconhecimento, criação e desenvolvimento de laços sociais, conquista de mais-valias económicas a médio e longo prazo, ganho de votos pelas populações com vista a alcance de lugares de decisão política e pública. Mousse observou processos de dádiva em sociedades arcaicas como na Polinésia, e pôde constatar que a dádiva é um dos mecanismos de legitimação do poder.

São as dádivas, as ofertas sociais e económicas que a Esquerda faz, nomeadamente em Portugal, que provocam uma forma de estar social passiva (ou pacifica, como alguns actualmente agora gostam de incluir no seu cardápio moral e ideológico). As pessoas gostam de atingir uma certo grau de bem-estar, de prosperidade e de qualidade de vida, a que justamente tem direito. A Esquerda, promove estes objectivos, e fá-lo através da distribuição de poder, da distribuição de responsabilidades, da inclusão das populações nesse poder de decidir e de participar; no entanto a maneira excessivamente democrática como o faz, provoca a descaracterização do poder, o que leva em situações mais criticas à desgovernação. E uma consequência que eu julgo ser negativa, é a falsa participação das populações em processos de decisão públicos, nos quais elas julgam ter um poder efectivo. As lideranças de esquerda mostram normalmente duas faces: ou totalitária/centralizadas (os casos de Cuba, da Coreia do Norte e da ex-URSS) ou fracas/difusas (os casos do PCP de Carlos Carvalhas e do PS de António Guterres). Um caso extremo de dádiva ocorrida em Portugal no pós-25 de Abril, e que os mais velhos certamente se recordaram, foi com o período de governo de Vasco Gonçalves, que, apoiado pelos partidos de esquerda e de extrema-esquerda, iam provocando a ruína da nossa economia e da nossa sociedade, nomeadamente tendo uma política redistributiva muito forte e pesada para os recursos existentes.

A segunda ideia que referi anteriormente, a capacidade de persuasão, provoca os mesmos efeitos que a questão da dádiva. O discurso político dos partidos de esquerda, é, na sua origem, um discurso tipicamente poético, embebido de sofrimento e de sonho, inventado cenários ora paradisíacos ora infernais. Recentemente, num debate sobre "Juventude e Globalização" ocorrido em Setúbal, um político do PCP falava de uma sociedade de explorados e de exploradores...a "eterna" luta de classes segundo Marx. Provavelmente esse senhor não se lembrou da forte classe média que existe no nosso país. Portugal é um país de românticos, em que os discursos dos partidos e dos políticos de esquerda ainda encantam muitas vezes. Quem não se lembra da famosa "paixão" pela educação do Eng.º António Guterres? Este slogan encantou durante algum tempo professores, pais e alunos. Também podemos falar em demonstrações algo inovadoras do Bloco de Esquerda, que com dotes de magia teatral, consegue cativar alguns jovens das grandes áreas urbanas. Os portugueses sentem-se confortáveis ao ouvirem um discurso que os acalme, que os tranquilize, que os faça pensar que está tudo bem, e que não é necessários estarem preocupados. Um dos melhores exemplos de discurso tranquilizante foi nos dado pelo governo socialista liderado pelo conciliador Engº António Guterres.

Apesar da forma irónica com que exprimi as minhas opiniões sobre o que, de forma sintética, penso sobre a Esquerda no nosso país, tentei agir de maneira sincera. Estamos a poucos dias de ter celebrado mais um 25 de Abril (que a Esquerda faz sempre questão em dominar as mudanças e as liberdades que foram alcançados com esta revolução), mas também estamos a poucos dias da aprovação de algumas leis que seguramente vão alterar, para melhor ou para pior, os nossos quotidianos, espero que estejamos a poucos dias...de mostrar que a inércia, o falso silencio, os extremismo ideológicos, as posições partidárias em detrimento das posições cívicas e realistas; tenham cada vez menos peso e influência na sociedade portuguesa. Nós somos um povo que já se mostrou capaz, ao longo dos séculos, de transformar as palavras em actos e os actos em palavras, ou seja dizer uma coisa e fazer essa coisa, e assumir o que fizemos dizendo que o fizemos. Desculpem-me estas meias-frases, que vos indicam que nós somos um povo empreendedor!




Notas:
(1) Mousse, Marcel - "O Ensaio sobre a dádiva" Lisboa, Edições 70, 1988

Thursday, July 12, 2007

Viajante em espaços clássicos

Acredito na fundamentação das coisas, da História, da evolução do Homem. Penso que todos nós deviamos conhecer os nossos fundamentos, estejam eles em condição de vestigio, estejam eles inteiros. Tendo em conta os desejos que exprimi (em imagem) das cidades que gostaria de visitar e conhecer, a minha opinião, em parte já foi dada. Sou clássico no conhecimento, no que quero conhecer, naquilo que é mais importante conhecer.
Temos cidades que foram, e são, marcantes para a História da Humanidade. Cidades que marcaram os tempos passado, presente e futuro. É certo que temos museus em França, Inglaterra e Estados Unidos, que nos mostram um pouco de civilições clássicas, como a civilização grega, mas a Grécia ainda existe, com os traços culturais que permanecem desde a época clássica. O mesmo se aplica na China e no Japão, que são países que mantem carateristicas culturais e arquitéctónicas ancestrais.
Mas o mundo moderno também faz parte da fundamentação humana, como a cidade de Nova Iorque. Esta cidade, que também gostava muito de conhecer, e pelas imagens e informação que sobre ela existe, deve ser um autêntico caldo de cultura, de diferenças raciais e étnicas.
Talvez um dia eu seja bafejado pela sorte, e consiga visitar todas estas cidades.

Tuesday, July 10, 2007

Desejo de Viajante IV - Rio de Janeiro







Desejo de Viajante III - Roma







Desejo de Viajante II - Londres




Desejo de Viajante I - Nova Iorque

Prefiro deixar-vos com imagens sobre cidades ou países que gostaria de conhecer e sobre os quais gostaria de ter memórias.



Em Lisboa de novo

Estamos em plena actividade eleitoral em Lisboa, cidade de que já falei, e falei com gosto e ternura. São vários os candidatos, várias as candidaturas, várias ideias e projectos em teoria, várias pessoas interessadas, várias pessoas que provocam interesse, vários participantes politicos e muita...muita gente a assistir.

Lisboa é linda sob o seu manto de luz azul e sobre a sua história e estórias. Como pode a estratégia politica aproximar-se e incluir na sua definição a beleza de Lisboa?...Concretamente...Ideológicamente...não sei. Mas sinto, e sentir deve fazer parte de qualquer estratégia politica, seja ao nível de um governo de uma cidade ou de um país. Sentir a cidade de Lisboa, acordar com ela e dormir com ela, numa relação de conhecimento e de construção de uma vida. Talvez seja possível inserir este sentimento numa estratégica politica, que, por natureza deve ser racional e viável.

A grande maioria dos partidos e dos seus cabeças-de-lista, está, penso eu, em condições de sentir Lisboa. Confesso que tenho simpatia mais por uns, do que por outros, mas vão me perdoar a minha intenção em manter a minha preferência em segredo. Se apreciam a democracia responsável, a liberdade política e respeitam a pluralidade de ideias e de ideologias como eu aprecio, de çerto que poderão pressupor qual seja o meu campo ideológico.

Também tenho receio que estes candidatos (incluindo todos os membros das várias listas) percam o sentir por Lisboa, tenho receio que deixem de sentir Lisboa como devem sentir....! Poderá isso ser possível...? Será que já é possível...? Tenho gosto em ser um espectador activo, e talvez tenha a felicidade de concretização de esperanças - que eu que não sou lisboeta, e que respeito e sinto esta cidade - de ver uma Lisboa jovem, com alegria, com futuro, com vida.

Wednesday, June 27, 2007

Mudança no reino de Sua Majestade


Hoje, dia 27 de Junho de 2007, tal como o agora ex-Primeiro-Ministro Inglês, Tony Blair, anunciou à alguns dias, apresentou a sua demissão à Rainha Isabel II. Foram 10 anos a liderar o governo do Reino Unido, em que tentou fazer a ponte com a Europa e com a UE. Era este ponto que gostaria de destacar.
Desde que foi eleito, e mesmo quando era lider da oposição através do partido New Labour, Blair, sempre manteve uma distância do tradicional pensamento conservador inglês, de "ver para crer" em relação à construção europeia e ao processo de integração economica e politica da UE. O seu nome chegou a ser falado para, um dia, presidir à Comissão Europeia, ou ter um cargo politico de relevo na UE. Tony Blair atravessou, em 2005, um semestre como Presidente do Concelho da UE, presidência essa como sabem é rotativa de 6 em 6 meses por todos os Estados-membros. Blair tinha uma atitude politica com a Europa diferente da antiga Primeira-Ministra Margaret Thatcher. Europeista "quase convicto" Blair quis convocar um referendo na Grã-Bretanha sobre o Tratado Constitucional Europeu. No seu Governo teve ministros contra e ministros a favor, o seu executivo, o seu partido e o seu país encontravam-se (e ainda se encontram) divididos quanto à participação do Reino Unido no sistema politico e económico da UE. Uma grande barreira com que teve que lidar, e à qual teve que ceder, foi a recusa da entrada do Reino Unido no sistema monetário europeu - o Euro. A moeda única europeia é uma especie de bicho papão para muitos britanicos, que tem receio de perder a sua independência politica e económica, e de ficarem muito dependendes das decisões que se tomam em Bruxelas e Estrasburgo. De alguma forma, Blair sempre se manteve fiel aquilo em que acredita, ao futuro da UE, apesar das pressões de parte do seu partido e também do Partido Conservador inglês.
Julgo que a sua vertente de dialogo, de relacionamento diplomático, e a sua capacidade de comunicação e de empatia; foram trunfos seus que lhe permitiram conseguir três vitórias eleitorais para assumir a chefia do governo britânico. Outra causa, de duas das suas eleições, foi a Terceira Via, uma especie de New Deal implementado por Franklin Roosevelt no Estados Unidos durante os anos 30 (secúlo XX). Alguns analistas questionam-se sobre a durabilidade da Terceira Via com o novo Primeiro-Ministro, Gordon Brown.

Sunday, June 24, 2007

Europa Über Alles


Independentemente de Portugal vir a assumir novamente, a presidência da União Europeia (UE), gostaria de deixar uma breve reflexão sobre o "estado da União". Claro, dentro da minha humilde e comum opinião.
Como todos sabemos, no essencial, quais são os fundamentos politicos e ideológicos da Comunidade Europeia, integrados no Tratado de Roma, que tem vindo a dar uma sustenção pacifica e democrática às relações entre os Estados-membros da actual UE.

Saturday, June 2, 2007

Estar no Estado

Aparentemente, este título pode gerar confusão e falta de algum sentido. Refiro-me ao Estado-nação, a ser elemento do Estado, a ser Estado, (será que existe a expressão Homem-Estado....?).
Quando a expressão "Estar no Estado" surgiu no meu pensamento, eu pretendia reflectir sobre o que podemos fazer enquanto cidadões, pretendia reflectir sobre o que podemos fazer, o que podemos mudar e transformar nas nossas sociedades e comunidades às quais estamos ligados. Não imagino a importância do Estado-nação sem o peso das localidades, das comunidades, das etnias e grupos sociais que o constituem.

O que é para mim, então, estar no Estado? Respondo de forma pragmática e directa:
- Cumprir com a lei em vigor;
- Contribuir com o meu votos nos actos eleitorais local, nacional e europeu;
- Cumprir com as minhas obrigações fiscais;
- Respeitar os símbolos e desígnios nacionais (bandeira nacional, participação em missões e
organizações internacionais, etc);
- Respeitar as instituições governamentais, juridicas, judiciais e militares;
- Não destruir nem prejudicar a propriedade publica e estatal, nas suas várias dimensões
(ambiental, artistica, arquitectónica);
- Conhecer o país, as suas gentes, a sua cultura, os seus costumes e tradições (ainda que de
forma genérica e gradual).

Como também tenho direito aos meus momentos de sinceridade, apetece-me colocar uma questão: Será que toda a gente cumpre com os requisitos que referi anteriormente?

O Estado-nação é mais que um conceito, é uma representação juridica, politica e filosófica que ímpera nas democracias ocidentais, principalmente na Europa. Portugal não foge à regra, e isso pode ser lido na Constituição da República. Mas será que todos os cidadãos, portugueses ou de outra nacionalidade, sente-se parte de um Estado-nação? Será que entendem minimamente a sua essência, o porquê de existir em termos politicos e filosóficos? Infelizmente, esta percepção de Estado-nação não está assumida por todos, principalmente quando eu me refiro a alguns dos requisitos anteriores ou até ao seu conjunto.

Wednesday, May 30, 2007

Direitos

O titulo composto só pela palavra Direitos, pode levar a pensar que vou falar de direitos humanos ou liberdades e direitos politicos, culturais e sociais, de forma geral, ou filosofar sobre eles.
Em Portugal, nos últimos anos e meses têm ocorrido manisfestações legalmente constuituidas e permitidas, mas que já não são demonstrativas de actos democráticos e de solidariedade social para com a comunidade e o país em geral. Estou me a referir em concreto a uma greve geral que, ainda está a decorrer durante o dia de hoje, 30 de Maio de 2007. As greves são legitimadas, pelas Constituição, segundo determindados critérios expostos no seu art.º 57, entre os quais "Compete aos trabalhadores definir o âmbito dos interesses a defender atravéz da greve".
No entanto, nos últimos anos, os sectores de actividade que tem realizado mais greves e manifestações são os que estão ligados ao Sector Público. Se compararmos os efeitos que a greves dos funcionários públicos e de trabalhadores de empresas com capital público ou com participação empresarial pública, com as greves que os trabalhadores das industrias, agricultura, e comércio realizaram na 2ª metade da decada de 70; então há um promenor que, hoje em dia, torna muito diferente a aceitação social das recentes greves - a generalidade da população portuguesa é afectada pelas greves.
Pergunto eu, uma familia que necessita de transportes, que tem consulta marcada à 4 meses para um dos filhos, que está a pagar as propinas de outro filho que está numa universidade pública, etc; tem que sofrer por causa de diminuição de alguns privilégios (que actualmente não fazem grande sentido, em termos comparativos, com outras actividades profissionais e sectores de actividade económica).
Não estou a criticar a realização de greves e de manifestações, mas será que actaulmente são bem aceites pela sociedade? Não existiram outras formas de manifestação e defesa de interesses? Os sindicatos tem que pensar noutras formas de manifestação, que não prejudiquem o dia-a-dia de quem precisa dos transportes públicos, dos hospitais públicos e das escolas públicas. Pensem e reflitam um pouco, senhores sindicalistas!

Thursday, May 3, 2007

Lisboa - cidade de pertença

Falar de uma cidade é sempre fantasiar, resivitar o que gostamos e queremos ver, observar, sentir e pertencer. Lisboa é uma cidade de pertença. Corro o risco de falar sem a totalidade do conhecimento, mas falarei sob a minha percepção de uma cidade onde as horas percorrem dia-a-dia o meu destino. Sabem de certeza que a luz de Lisboa também é inspiradora.....segundo me dizem, em jeito de sentimento.
Lisboa tem uma história "curiosa" e reveladora de algumas das nossas conquistas e derrotas lusitanias. Os autos de fé terão sido derrotas morais e cívicas que os lisboetas dos seculos XV, XVI e XVII assistiram no Terreiro do Paço. Mas Lisboa também sabe cantar vitória, como na resistência ao cerco dos mouros no secúlo XII.
Lisboa é pequena, como a nossa pequena terra, o nosso canto de uma Europa, que estranhamente nos dá importância política e económica quando é conviniente....
Volto a Lisboa sempre que os dias assim o pedem. Para sustentar o meu destino e a minha vida. Pertenço a Lisboa sem ser lisboeta, sem ter cordão umbilical, mas com uma atracção que ultrapassa as justificações geográficas.
Desde Belém até ao Parque das Nações, Lisboa é feita de contrates e de várias misturas culturais e raciais, que dão encanto e identidade à cidade de Pessoa e Amália. "Lisboa, menina e moça", como diz a canção. Lisboa és cantada e sonhada, de dia e de noite, com os dias a passarem e a renovarem o céu azul que serve de manto e de luz.

Wednesday, April 25, 2007

Sobre um dia!

Sei que muita gente já escreveu...e escreveu....já falou...e falou....sobre o 25 de Abril, sobre o seu significado, sobre o que aconteceu em 1974, sobre a ditadura que sofocou a liberdade de expressão durante 40 anos, sobre tudo e mais alguma coisa....! Nasci em 1975 e, felizmente posso dizer o que penso e o que sinto sobre o meu país, sobre a sociedade portuguesa e sobre o sistema político que constitui o nosso Estado. Existe ainda muito por discutir e para analisar sobre as consequências directas da Revolução de 25 de Abril de 1974, nomeadamente nas suas vertentes social e política. A liberdade de expressão é uma consequência desse dia, desse momento histórico, e como tal, terminarei este texto noutro dia, para que a Liberdade seja efectiva. Talvêz o termine em Novembro.............!

Saturday, April 21, 2007

O valor das palavras - ensinar e aprender


Depois de referir algumas profissões e formas de ser sociais (perdoem-me esta expressão, mas parece-me adequar-se ao contexto), seria injusto não falar sobre a relação entre as palavras e quem ensina - os Professores. Tenho um especial apreço por esta profissão, pelo que ela representa em qualquer sociedade, e pelo contributo que pode dar para o desenvolvimento da Humanidade.
Todos sabemos que para ensinar, o Professor tem que comunicar e trasmitir informação e conhecimento para os seus alunos. O ensino presencial ainda tem um grande peso em todas as sociedades, embora também tenhamos que reconhecer a crescente presença e utilidade das novas tecnologias para o ensino à distância, nomeadamente através da Internet, utilizando plataformas de E-learning. Mas.....mesmo que seja á distância as palavras do Professor continuam a garantir a aprendizagem dos alunos.

Saturday, April 7, 2007

O valor das palavras - o poder no palco

Em qualquer país com liberdade de expressão, o Actor pode ser murdaz, sarcástico, imaginativo e impiedoso nos seus actos em palco, sempre a coberto da fantasia e da invenção. Será que conseguimos identificar algum poder social e político nos actores? Julgo que sim, principalmente quando as suas intervenções teatrais - e também no cinema e em televisão - conseguem provocar mudanças de mentalidade, de opinião e de atitude social na população que é influênciada pela actuação dos actores.

Por definição, a actuação dos actores num palco de teatro, e sua representação em cinema ou televisão, tem como objectivo cativar o espectador durante a duração do espéctáculo, provocando emoções e sentimentos que o levem a adminar e gostar do desempenho dos actores.


Não nos devemos esquecer que, por detrás de cada actor encontra-se um encenador que constroi a peça (ou produtor e realizador que elabora o filme ou a série), e um argumento que é a essencia da actuação de todos os actores. Existem textos representados em teatro, que se referem à realidade politica de diversos países, em épocas diferentes, ou a acontecimentos históricos que marcaram a evolução da Humanidade.


Penso que os géneros de representação teatral que mais efeito social podem provocar serão o Drama e o Teatro Revista - este último é mais usual no nosso país e tem uma grande tradição.

Em Portugal existe uma longa relação entre o Teatro, a sociedade e o poder político. Vários foram os intervinientes e causadores desta relação, nomeadamente Gil Vicente (considerado o pai do teatro português), Almeida Garret, Raul Brandão, Julio Dantas, José Régio, ou mais recentemente Luís de Stau Monteiro, Luís Francisco Rebello e José Cardoso Pires. Todos estes autores pretendiam incomodar o poder politico instituido e as convenções sociais que atrasavam a evolução das mentalidades e da cultura em Portugal. Todos nós já lemos ou estudamos o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, um texto que se refere provoca a moralidade religiosa e a poderosa Igreja Católica.

Sunday, March 25, 2007

O valor das palavras - a escrita vivida

Existe um sentimento que é comun a todos escritores - a necessidade de escrever. Um vicio, nas palavras de muitos deles, principalmente dos poetas.

O poder das palavras para os escritores é um poder intimo, uma espécie de catarse dos seus sonhos e experiências.


Admiro muitos dos escritores e poetas cujas as obras eu já lí, e por eles tenho um profundo respeito. Se eu não me engano (podem-me corrigir, caso eu esteja errado), foi Arthur Schopenhauer, filosofo nascido na Prussia em 1780, que identificou a literatura como uma das essências espirituais que imortalizam os homens que escrevem e publicam os seus livros - tal como os pintores que criam os seus quadros, e os compositores que compõem as suas obras.



Todos sabemos que a Literatura tem dois grandes campos de intervenção: o real e o imaginário. E a partir desta divisão temos os géneros literários, que no campo imaginário vão desde a poesia, romance, dramaturgia, prosa, etc. É sobretudo no campo da imaginação que os escritores criam a suas obras. Se entrarmos no campo da caracterização da realidade que nos rodeia, então a criação literária já ultrapassa condição do Escritor, embora este possa falar sobre a realidade que observa e que vive. Os jornalistas, sociologos, psicologos, antropologos, físicos, filosofos; também podem utilizar a imaginação quando analisam e retratam, por escrito, a realidade que pretendem estudar, mas a imaginação não - nem deve ser - a essência do seu trabalho ciêntifico. Desta forma deixariam de existir, Objecto e Método em cada uma das suas ciências.



E os exemplos do poder dos escritores? Existem muitos ao longo da história da Humanidade. Foram muitas as obras que contribuiram para a formação de identidades nacionais e do desenvolvimento intelectual, cientifico, e cultural dos povos. Os livros são, desde sempre, vitais para a nossa condição humana. Poderiamos imaginar a nossa existência sem a produção literária?...De certeza que não! É compreensível que os livros de pendor ciêntifico, filosófico e técnico contribuam com maior eficácia e mais rapidamente para a mudança de mentalidades e para a evolução da Humanidade, mas se tivermos o cuidado de conhecer o percurso da literatura de ficção e das posições, provocações, e contributos dos escritores desde o início dos tempos, de certeza que podemos admitir que Camões deu um contributo valioso, para a formação da identidade cultural e nacional portuguesa através da sua obra "Os Lusiadas"; que Jonh Steinbek caracterizou muito bem a América rural e sulista da primeira metade do secúlo XX, no seu livro "As Vinhas da Ira"; a epopeia de D. Quixote retractada por Miguel de Cervantes, faz parte da espinha dorsal da cultura espanhola; "Guerra e Paz" de Leon Tosltoi é uma obra maior da literatura europeia do secúlo XIX; a Oriente também existem vários exemplos do poder da escrita, como o caso do "Livro do Poder" de Lao Tzu, que, nos últimos 2000 anos, tem quase tantas traduções como a Biblia; esta última referencia, que mais do que literária é sobretudo religiosa e espiritual, e sagrada para os Católicos e Cristãos; e talvés, num nível de importância idêntico á Biblia, é a obra "O Capital" de Karl Marx para os Comunistas. São inumeras as referencias literárias que podemos abordar e que fizeram das consicencias humanas o que elas são hoje, com os seus extremos e as suas contemplações.